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Não basta ser fã tem que ser cover (Estudantes)

 

por Vanessa Martins



Jovens querem cada vez mais ser parecidos com seus ídolos.

No mercado atual, montar uma banda cover é algo relativamente fácil. Com a ajuda da internet, encontrar integrantes não é nenhuma batalha de extrema dificuldade, os obstáculos, porém, vão surgindo no meio do caminho. Geralmente há uma certa distância entre cada integrante, que atrapalha até mesmo para um simples ensaio. Essa, aliás, é outra questão: dependendo das condições financeiras do grupo, pagar entre 25 e 30 reais a hora em estúdio, acaba se tornando mais um empecilho.

Os problemas não param por aí. A banda está pronta e depois de muito sacrifício já está apta a fazer shows em bares e casas noturnas. Novamente uma objeção surge diante desses jovens, a princípio não é nada difícil encontrar algum lugar para tocar de graça, afinal de contas é necessário fazer uma boa propaganda da banda. Depois de um certo período, esse tipo de imposição já não é mais aceita, pois o grupo já se tornou bem divulgado, esse um é dos problemas mais comuns entre as bandas cover e aquelas com um estilo próprio. No momento em que começam a ganhar uma remuneração pelo show, percebem que podem, sim, ter um futuro promissor nessa área.

Em entrevista com a banda Crash N' Burn, cover de Guns N' Roses, o grupo conta sua trajetória que irá completar um ano no dia 22 de novembro. Rodrigo, o guitarrista solo da banda, lembra como os integrantes se conheceram, ele já era amigo de Fabio, o baterista, que moravam e até hoje moram no mesmo prédio, depois de um certo tempo conheceram o guitarrista base, Rafael Petroni, na escola onde estudavam e assim resolveram formar uma banda cover de Guns N' Roses, pois todos são muito fã: "Então fomos atrás de outros integrantes que também gostassem. Eu conheci o Artur (baixista) através de um anúncio na internet. Conseguimos uma apresentação numa escola próxima de onde eu moro, Artur se ofereceu pra tocar junto com a gente, e disse que levaria um vocalista (Gerson) e um tecladista (Junior), eles já haviam tocado em uns ensaios com outra banda. E foi assim, nos conhecemos no dia da apresentação e tocamos durante duas horas e meia. Ali mesmo já resolvemos que essa seria a banda".

O Crash N' Burn é uma banda de poucos recursos, por isso tem sido bastante difícil para eles firmar-se no mercado. Quando a questão é o valor cachê por show, Artur afirma: "Ainda não somos uma banda muito conhecida e não temos um preço, esse detalhe ainda fica a critério da casa de shows em que iremos tocar".

Os meninos revelam que passam por muitas dificuldades. A distância em que cada um mora se torna mais um problema para a banda. A gravação de uma fita demo, também é algo que atrapalha muito, pois nenhum dos integrantes trabalha para conseguir o dinheiro para gravar. Sem contar que os shows que a banda já fez foram todos de divulgação, ou seja, de graça.

"Apesar de tantos obstáculos, a banda ainda tem esperança de ser reconhecida um dia, pois todos trabalham por amor e pelo simples prazer de serem aplaudidos pelos verdadeiros fãs de Guns N' Roses", afirma o baixista Artur.

Os garotos dizem que, no meio de tanta dificuldade, ainda encontram tempo para se divertir, mesmo que inusitadamente. "No meio de um show, o chimbal da minha bateria desmontou, e eu não podia parar de tocar. Em uma parte da música que estávamos tocando não tinha o baixo e eu também não usava o chimbal, então o baixista deu uma arrumada de qualquer jeito até chegar o técnico de som. Foi um alivio", relembra o baterista Fabio.

Artur, o baixista que está na banda desde o início, conta que começou sua carreira como guitarrista, mas sua verdadeira paixão é bateria. "Porém a banda precisava de um baixista, então estou aqui já há dois anos".Depois de um tempo começou a reparar mais no baixista do Guns N' Roses, Duff McKagan que, segundo Artur, possui uma personalidade diferente e por isso começou a admirar muito seu trabalho, tornando-se seu cover: "Até pinto e repico o meu cabelo para ficar mais parecido com ele. E creio que deu certo, pois as pessoas me chamam de Duff. Isso para mim é um grande reconhecimento".

O guitarrista-base, Rafael Petroni, diz não gostar muito dessa nova geração de bandas de nu metal, e que GNR é de uma banda de hard rock dos anos 80 e 90, mas que, mesmo assim, respeita os covers desses novos grupos. Rafael, que faz cover do guitarrista Izzy Stradlin, conta que toca guitarra há dois anos e que o mais difícil de obter é o reconhecimento do público: "Se pudesse me encontrar com Izzy Stradlin, diria a ele, que sou muito fã dele, e que ele escreve absurdamente bem".

Álvaro, o vocalista que está na banda há apenas um mês, diz que foi convidado a entrar no grupo a convite do baixista. "O 'Duff' falou que o outro vocalista Gerson estava indo embora, então topei na hora".O estilo de Álvaro é tão apelativo quanto o de Axl Rose, vocalista do GNR, porém o visual de Joseph Colier, nome artístico de Álvaro, é mais voltado para os anos 80. Ele prefere seguir seu próprio estilo de roupa, que se encaixa melhor no seu projeto paralelo ao Crash N' Burn, que é sua outra banda de hard rock.

O guitarrista-solo, Rodrigo, toca guitarra há aproximadamente quatro anos. Sua maior inspiração não poderia ser outra além do famoso guitarrista do GNR, Slash. Porém diz admirar outros ícones musicais como, Izzy Stradlin (GNR), Tomy Iomy (Black Sabbath), Angus Young (AC´DC). Slash se tornou muito conhecido por sua guitarra e seu estilo irreverente, com seus cabelos volumosos, sempre impedindo a possibilidade de ver o seu rosto, porém Rodrigo diz que por mais que faça cover quer seguir um estilo próprio de ser, já que as técnicas que ele utiliza são bem parecidas com as do guitarrista do GNR.

O baterista Fabio espelha-se no baterista do GNR, Matt Sorum. Como o GNR possuiu dois bateristas, ao ser questionado sobre o porquê da preferência por Sorum e não por Steven Adler, Fabio conta que foi por uma afinidade de estilos: "Conheci Matt Sorum no Rock In Rio II. Steven Adler é mais rockeiro, e ele é mais reservado, por isso acho que sou mais parecido com Matt e só não uso o mesmo visual, pois é difícil de se achar, comecei a tocar bateria depois que assisti o Rock In Rio II, foi lá que conheci GNR também. Toco bateria há um ano e meio, só fiz quatro meses de aula, a bateria e a música são como terapia para mim".

Fabio aprecia todas as bandas de hard rock, tem como influência bandas como Led Zeppelin, AC´DC, Aerosmith e Skid Row. "Escuto Guns todos os dias. O Artur é a estrelinha da banda com todos os seus acessórios alternativos", comenta o baterista.

Fabio e Artur parecem ser os lideres da banda, apesar não terem eleito ninguém até o momento. Eles encerram a entrevista com a explicação: "O mais recompensador é a química que rola entre os componentes. No palco podemos não ser perfeitos para alguns, porém quando estamos lá em cima estamos em sintonia e muito satisfeitos".

São muitas as dificuldades para ter uma banda, mas os prazeres compensam, que o digam os covers.

VISITE: www.crashnburn.cjb.net