Por André Gordirro
Herói
O Rei Arthur “histórico” não inspirou apenas o produtor Jerry Bruckheimer. O escritor Bernard Cornwell também se baseou nos fatos por trás da lenda para tecer uma versão muito pessoal – e com sólida base histórica – na trilogia Crônicas de Artur, composta pelos livros O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur. Os três foram best-sellers quando lançados aqui no Brasil em 2002.
Na versão de Cornwell, Arthur é um comandante de tropas, um senhor da guerra que jurou fidelidade ao sobrinho Mordred, então bebê e futuro rei de uma região que hoje seria o sul da Inglaterra. Ele protege o trono de Mordred ao fazer alianças com quem queria vê-lo, Arthur, no posto de majestade. Sua jornada é contada pelo ponto de vista de um de seus tenentes, Derfel Cadarn, um personagem registrado pela História. Assim como no filme de Jerry Bruckheimer, figuras conhecidas aparecem sob nova luz. Guinevere é uma mulher ambiciosa, dona de várias faces; Lancelot é um covarde que vive de feitos que ninguém jamais testemunhou; Merlin é um druida em luta contra o avanço do cristianismo em terras pagãs. Todo mundo tem ambições, planos e agenda política próprios, num caldeirão que mistura religião, fidelidade e conveniência. No centro de tudo isso está Arthur e seu juramento à proteção de Mordred, mesmo quando se percebe que o menino porá tudo a perder se vier a ser rei.
Sem se valer de armaduras reluzentes ou espadas mágicas, Cornwell retrata um tempo em que a religião cristã e a crença nos druidas dividiam o povo e seus lordes, enquanto as terras eram ameaçadas por invasões saxãs e vizinhos beligerantes. O perigo iminente permite que o autor brilhe nas intensas seqüências de combate, duelos e batalhas campais. O detalhismo histórico nunca é enfadonho, e o leitor aprende, fascinado, o conceito realista da “parede de escudos” – uma luta pouco cinematográfica, e por isso sempre evitada na telona, mas fiel ao seu tempo. A magia também é desconstruída pelo autor, que a explica como uma mistura de superstição e loucura.
Se o Rei Arthur de Jerry Bruckheimer despertar sua curiosidade sobre outras interpretações da verdade que inspirou o mito, vale a pena conhecer o trabalho de Bernard Cornwell – uma obra superior e mais consistente que a do produtor hollywoodiano.
Crônicas de Artur é da editora Record.
Rei Artur
Rei Artur, assim sem o “h” mesmo, é de autoria de Allan Massie e faz parte de uma trilogia sobre a Idade Média. Este é o segundo volume e nada impede que seja lido separadamente do primeiro.
Aqui o autor se baseia nos relatos de Michael Scott, um sábio e astrólogo medieval, que conta a história de como o Rei Arthur chegou ao poder. O livro, em forma de romance, mostra Scott revelando a história arthuriana a seu pupilo Frederico II. É tudo bem detalhado e dá para não apenas entender a lenda como também conhecer um pouco mais sobre como era a vida durante a Idade Média.
Massie revela muitos dados da infância de Arthur, as aventuras que passou quando ainda era adolescente e também muitos outros fatores importantres da lenda. É o caso, por exemplo, das origens de Merlin (no livro é escrito “Merlim”). Ele era um rapaz pagão, com um olho de cada cor e extremamente sábio. Segundo este livro, Merlin educou Arthur em muitas áreas do conhecimento como filosofia, matemática e até como manejar uma espada. Enfim, o mago preparou o garoto para se tornar rei.
Rei Artur é da editora Ediouro. (Por Odair Braz Junior)
FONTE: www.heroi.com.br