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LÍNGUA PORTUGUESA - UFF (1998)

1) TEXTO 1

OS TUMULTOS DA PAZ

O amor ao próximo está longe de representar
um devaneio beato e piedoso, conto da carochinha
para enganar crianças, desavisados e inquilinos
de sacristia. Trata-se de uma essencial exigência
pessoal e política, sem cujo atendimento não nos
poremos a serviço, nem de nós mesmos, nem de
ninguém. Amar ao Próximo como a si mesmo é,
por excelência, a regra de ouro, cânon fundador da
única prática pela qual poderemos chegar a um
pleno amor por nós próprios. Sou o primeiro e
mais íntimo Próximo de mim, e esta relação de
mim para comigo passa, inevitavelmente,
pela existência do Outro. Este é o termo terceiro, a
referência transcendente por cuja mediação passo
a construir a minha auto-estima.
Eis aí o modelo da paz.

(PELLEGRINO, Hélio. A burrice do demônio. Rio de Janeiro: Rocco, 1989. p. 94)Assinale a opção que corresponde ao se-guinte fragmento do texto I: “Sou o primeiro e mais íntimo Próximo de mim, e esta relação de mim para comigo passa, inevitavelmente, pela existência do Outro” (linhas 10 -13).


a)A relação de mim para comigo, passando pela existência do Outro, é uma essencial exigência para enganar os incautos e ingê-nuos sacristãos.
b)A existência do Outro de nada interfere na construção da auto-estima.
c)Amar ao Próximo como a si mesmo é um devaneio beato e piedoso para alertar os desavisados.
d)Para chegarmos ao amor por nós próprios, indiscutivelmente, temos que perpassar pelo amor ao Próximo.
e)A realidade concreta de mim para comigo é a regra de ouro para um pleno amor por nós próprios.
Resposta


2) Texto II PENSAMENTO DE AMOR Quero viver de esperança
Quero tremer e sentir!
Na tua trança cheirosa
Quero sonhar e dormir.

Álvares de Azevedo


..........................................................................

Todo o amor que em meu peito repousava,
Como o orvalho das noites ao relento,
A teu seio elevou-se, como as névoas,
Que se perdem no azul do firmamento.


Aqui...além...mais longe, em toda a parte,
Meu pensamento segue o passo teu.
Tu és a minha luz, – sou tua sombra,
Eu sou teu lago, – se tu és meu céu.
..................................................................
À tarde, quando chegas à janela,
A trança solta, onde suspira o vento,
Minha alma te contempla de joelhos...
A teus pés vai gemer meu pensamento.
..................................................................
Oh! diz’ me, diz’ me, que ainda posso um dia
De teus lábios beber o mel dos céus;
Que eu te direi, mulher dos meus amores:
– Amar-te ainda é melhor do que ser Deus!


Bahia, 1865.
(ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1976. p. 415-6)Analise o texto II e assinale a opção em que o verso transcrito representa, no plano semântico, uma conseqüência.


a)“Que eu te direi, mulher de meus amores:” (v.15)
b)“Que se perdem no azul do firmamento.” (v.4)
c)“Oh! diz’ me, diz’ me, que ainda posso um dia” (v.13)
d)“Todo o amor que em meu peito repou-sava,” (v. 1)
e)“Meu pensamento segue o passo teu.” (v.6)
Resposta


3) Com base na última estrofe do texto II, pode-se constatar:


a)A mulher dos amores do amante considera o sentimento de amá-lo melhor do que ser Deus.
b)Deus é um bem menos importante para o amante porque o verdadeiro amor é a mulher dos seus amores.
c)O amante se dirige à mulher dos seus amores, considerando o fato de amá-la ser um bem maior do que ser o próprio Deus.
d)Ao se dirigir à mulher dos seus amores, o amante se curva à onipotência de Deus.
e)O amante se dirige ao próprio Deus, consi-derando o fato de amá-lo ser um bem me-nor do que amar a mulher de seus amores.
Resposta


4) Os quatro versos de Álvares de Azevedo que servem de epígrafe ao texto II indicam que:


a)há uma relação do texto II com o tratamento dado ao tema amoroso pelos poetas ultra-românticos;
b)existe uma referência explícita do texto II ao amor tematizado no estilo de época realista-naturalista;
c)há uma influência marcante do Modernismo no texto II, especialmente no que diz respeito à idealização da amada;
d)existe uma citação clara do amor pastoral no texto II, conforme aparece no período Barroco;
e)há uma citação explícita do Simbolismo no texto II, notadamente no tratamento do rondó.
Resposta


5) Assinale a opção que corresponde à dife-rença entre a abordagem do amor nos textos I e II.


a)Os textos I e II desenvolvem ampla refle-xão sobre o individualismo de nosso século.
b)O texto I considera que não podemos amar a nós mesmos, se não amarmos ao próximo, enquanto o texto II manifesta-se explicitamente contra esta tese.
c)O texto II trata do amor ultra-romântico, ao passo que o texto I considera que o melhor modelo de amor é o do neoclassicismo.
d)O texto I considera o amor social como o mais importante, enquanto o texto II des-carta a importância do amor pessoal pela amada.
e)O texto II trata do amor entre um homem e uma mulher, ao passo que o texto I trata do amor ao outro como uma necessidade para a construção de nossa auto-estima.
Resposta


6) Assinale a opção correta para a reescri-tura dos versos 15 e 16 na terceira pessoa do singular, segundo a norma culta.


a)Que eu vos direi, mulher dos meus amores: - Amar-vos ainda é melhor do que ser Deus !
b)Que eu lhe direi, mulher dos meus amores: - Amá-la ainda é melhor do que ser Deus !
c)Que eu a direi, mulher dos meus amores: - Amar-lhe ainda é melhor do que ser Deus !
d)Que eu te direi, mulher dos meus amores: - Amar-te ainda é melhor do que ser Deus !
e)Que eu a direi, mulher dos meus amores: - Ama-a ainda é melhor do que ser Deus !
Resposta


7) Texto III

RONDÓ PRA VOCÊ

De você, Rosa, eu não queria
Receber somente esse abraço
Tão devagar que você me dá,
Nem gozar somente esse beijo
Tão molhado que você me dá...
Eu não queria só porque
Por tudo quanto você me fala
Já reparei que no seu peito
Soluça o coração bem feito
De você.

Pois então eu imaginei
Que junto com esse corpo magro
Moreninho que você me dá,
Com a boniteza a faceirice
A risada que você me dá
E me enrabicham como o que,
Bem que eu podia possuir também
O que mora atrás do seu rosto, Rosa,
O pensamento a alma o desgosto
De você.

(ANDRADE, Mário de. Poesias completas. São Paulo / Belo Horizonte: Martins / Itatiaia, 1980. V. 1. p. 121 )A palavra “pensamento” aparece três ve-zes no texto II (inclusive no título) e uma vez no texto III. Com relação ao sentido desta palavra é correto afirmar:


a)Tanto no verso 6 do texto II quanto no verso 19 do texto III, o referente de “pensamento” é Rosa.
b)O “pensamento” a que se refere Mário de Andrade, no texto III, é a retomada dos padrões estéticos românticos pelos modernistas.
c)“De você” (linha 10 do texto III) é adjunto adnominal de “pensamento”, o que significa que o poeta deseja possuir o pensamento de Rosa.
d)Conforme indicam os adjuntos adnomi-nais que determinam “pensamento” - nas linhas 6 e 12 do texto II - o pensamento pertence ao eu-lírico.
e)O “pensamento” a que se referem Castro Alves e Mário de Andrade reflete o caráter de oposição ao sentimento amoroso.
Resposta


8) A coesão textual constrói-se, também, através da anáfora, isto é, da retomada de elementos anteriormente expressos. Assinale a opção em que a palavra sublinhada retoma um elemento textual expresso no verso citado:


a)“Receber somente esse abraço” (v.2)
b)“Por tudo quanto você me fala” (v. 7)
c)“A risada que você me dá” (v. 15)
d)“Já reparei que no seu peito” (v.8)
e)“O que mora atrás do seu rosto, Rosa,” (v. 18)
Resposta


9) Quando os Risos e os Amores
Aparecem nos teus olhos,
Até d’ásperos abrolhos
Vejo flores rebentar.

Mas se deixas este prado,
Ai de mim ! Cruéis pesares !
Sinto escuro o céu e os ares
E enlutado o bosque e o mar.

(ALVARENGA, Silva. Glaura. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p.120 -121)O fragmento acima é retirado de um rondó escrito pelo poeta árcade Silva Alvarenga, no século XVIII. Comparando este fragmento com o texto III, pode-se afirmar que:


a)Existe uma preocupação dos dois escritores de manter o mesmo número de sílabas métricas.
b)Existe uma diferença de gênero literário entre os dois textos, já que apenas o texto III é um rondó.
c)Há um coloquialismo acentuado no texto III, marca registrada da linguagem modernista, mas não da neoclássica.
d)Há uma semelhança marcante entre os dois textos, já que ambos pertencem ao gênero épico ou narrativo.
e)Há uma aproximação temática entre os dois textos, quanto à ausência de sentimentos do eu-lírico.
Resposta


10) Assinale a opção em que o eu-lírico, ao se dirigir à amada, emprega linguagem semelhante à do texto III.


a)“goza, goza da flor da mocidade / que o tempo trata a toda ligeireza” (Gregório de Matos).
b)“A gente sempre se amando / nem vê o tempo passar” (Carlos Drummond de Andrade).
c)“Eu sou escritor difícil / Que a muita gente enquizila” (Mário de Andrade).
d)“Vem, ó Marília, vem lograr comigo / Destes alegres campos a beleza” (Tomás A. Gonzaga).
e)“O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.” (Antônio Vieira).
Resposta


11) Texto IV
O AMOR E O TEMPO
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera ! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor ?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.
(VIEIRA, Antônio. Apud: PROENÇA FILHO, Domício. Português. Rio de Janeiro: Liceu, 1972. V5. p.43)O texto IV apresenta:


a)características modernistas, como o uso exclusivo de expressões correntes na língua falada do século XX, bem como a abordagem de um tema atual: o amor;
b)características românticas, como o excesso de sentimentalismo e a exacerbação do eu-lírico;
c)características parnasianas, como o preciosismo da linguagem e a preocupação com a métrica;
d)características barrocas, como o jogo de idéias através de figuras de linguagem e a organização sintática complexa;
e)características neoclássicas, como a referência à mitologia e um vocabulário típico dos árcades mineiros do século XVIII.
Resposta


12) Os pronomes relativos, sublinhados abaixo, estabelecem a coesão textual, retomando substantivos anteriormente expressos. “Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via” (linhas 14 - 16). Assinale a opção que contém os substantivos referidos, na ordem em que aparecem no fragmento acima.


a)arco, olhos, tempo
b)instrumentos, setas, olhos
c)arco, asas, setas
d)tempo, arco, olhos
e)arco , setas, olhos
Resposta


13) Assinale a opção em que o fragmento sublinhado não é um exemplo de locução verbal.


a)“ faz-lhe crescer as asas” (linha 17)
b)“certo sinal de haverem de durar pouco” (linhas 5 - 6)
c)“que terem durado muito” (linha 6)
d)“não há amor tão robusto que chegue a ser velho” (linhas 11- 12)
e)“basta que sejam usadas” (linhas 20 - 21)
Resposta


14) Assinale a opção em que o pronome lhe está empregado com o mesmo valor posses-sivo que o da frase: “descobre-lhe os defeitos” (linhas 19 - 20).


a)O tempo acaba lhe ensinando.
b)O arco lhe fere com suas setas.
c)Basta-lhe amar e o ter amado.
d)Faz-lhe crescer as asas.
e)Atirou-lhe com força o ferro gasto com o uso.
Resposta


15) Em relação aos textos I, II, III e IV, é correto afirmar que:


a)O texto III apresenta o amor a uma mulher real, através de uma linguagem bem próxima da fala coloquial, enquanto o texto II evita o uso de metáforas e do predomínio do sentimentalismo.
b)Os textos II e III tratam do amor através da idealização da mulher amada e de subjetivismo acentuado.
c)Os textos I, II, III e IV apresentam o amor como a fórmula possível e necessária para a construção de um modelo de paz duradoura, através da intermediação do Outro - nosso próximo.
d)O texto I apresenta uma nítida preocupação social, defendendo o amor ao próximo, enquanto o texto IV deixa clara a fragilidade do tempo em relação a sentimentos profundos.
e)O texto I trata do amor ao próximo como a mediação possível e necessária para a construção de auto-estima e o texto IV apresenta a fragilidade do amor sob a ação do tempo.
Resposta